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Escalação do Rock in Rio 2024: Decepcionante? Fraca? Rock in Rio sem rock?

É nosso tema de hoje. A line-up do Rock in Rio já está completa e foi 100% divulgada na semana passada.

Choveram críticas por quase não ter mais rock no festival, e as atrações de rock propriamente ficarem espremidas e sufocadas em meio não somente ao pop, que vinha numa crescente dentro do festival pelo menos desde 2013, com Beyoncé, Rihanna, Katy Perry e outros nomes, mas também ao funk, eletrônico, samba, pagode, e agora até mesmo o sertanejo, que também chegou ao Rock in Rio.

O que você acha de tudo isso?

A line-up do RiR 2024 também te decepcionou?

Bem, eu vou dividir esta matéria em algumas partes_ e em uma delas vou colocar como o Rock in Rio vem, ano após ano, diminuindo e ''espremendo'' o rock, apontando dados concretos, o mais irrefutável de todos: os nomes da line-up de cada ano.

Vou me ater ao Rock in Rio BRASIL, deixando de lado as edições de Lisboa e Madri.

Aqui agora, vou falar um pouco do Régis Tadeu e de argumentos que ouvi e assisti no Caixa Véia e outros sites e vídeos.

O Régis sempre sublinha que o Rock in Rio nunca foi um festival cuja essência era o rock, já que desde a 1ª edição já trouxe nomes como George Benson, Al Jarreau, James Taylor, além dos brasileiros Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens (na época se chamavam assim), Blitz, Barão Vermelho, Erasmo Carlos, Ivan Lins, Gilberto Gil, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Pepeu Gomes, Alceu Valença, até mesmo Elba Ramalho, dentre outros.

Kid Abelha, Barão Vermelho e Blitz fazem parte do movimento de pop rock nacional dos anos 80, assim, estariam inseridos no contexto, mesmo não sendo internacionais nem tendo um som pesado.

Erasmo Carlos nessa fase já estava fazendo um som mais romântico, mas é considerado e apontado por muitos até hoje como "O Pai do Rock Nacional'', logo, também estaria dentro do contexto.

Pepeu Gomes é segundo matérias ''devoto da guitarra'', e eleito algumas vezes um dos melhores guitarristas do mundo.



Um dos membros do grupo Novos Baianos, Pepeu já foi considerado pela revista americana Guitar World de 1988 como um dos dez melhores guitarristas do mundo na categoria "world music". Em 2012, ele foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil um dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão.



Então, dá pra ''salvar'' esses nomes da lista.



Mas ainda temos: George Benson, Al Jarreau, James Taylor, além dos brasileiros Ivan Lins, Gilberto Gil, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Alceu Valença, até mesmo Elba Ramalho, dentre outros.


Estes nomes, sem relação direta (e a princípio nem indireta) com o rock.

George Benson- um cantor e guitarrista norte-americano de jazz

Al Jarreau- cantor também estadunidense versátil, foi premiado sete vezes com o Grammy, sendo o único a vencer o prêmio em três categorias distintas: jazz, pop e R&B.

James Taylor- um músico norte-americano, compositor e intérprete da fusão do "country-gospel-rock"



George Benson pelo menos é também guitarrista, instrumento intimamente ligado ao rock.

James Taylor tem uma mistura e influência de rock em seu som.

Mas claro, nenhum dos 3 acima citados são legítimos representantes do rock mundial, mas sim estão mais ligados a outros ritmos.



Ivan, Gilberto, Baby, Alceu e Elba são representantes da MPB; seno esta última também bastante ligada ao forró, sendo um dos maiores expoentes do gênero.



Mas mesmo após essa análise, podemos perceber que desde a 1ª edição, o Rock in Rio sempre abriu espaço para outros ritmos e artistas, ligados ou não ao rock.



Analisando melhor depois, encontrei também na Line-Up de 1985 nomes como Eduardo Dussek e Moraes Moreira, além de Lulu Santos e Rita Lee (estes dois últimos sim, intimamente ligados ao rock e pop rock nacional, sendo Rita considerada e intitulada até mesmo ''A Mãe do Rock Nacional'').



Porém, de fato, o Rock in Rio tem tido cada vez menos rock, e aberto cada vez mais espaço para outros ritmos.



Mas por que isso vem acontecendo?



Bem, assisti a vídeos no YouTube do ''Caixa Véia'' e outros canais, e posso dizer que:



  1. Como já dito, desde o início, desde a 1ª Edição, em 1985, o festival já abria espaço para outros ritmos além do rock, por exemplo, com os nomes acima citados, além de Ney Matogrosso, e outros;

  2. O Rock in Rio sempre teve, acredito eu que acima do Rock, o intuito de lançar e expor tendências, prestigiar os chamados ritmos e artistas ''do momento'' (que em 1985 eram o rock internacional, nacional e MPB, basicamente, que se encontravam, então, em seus auges);

  3. Os roqueiros cada vez mais e mais se tornam um nicho e tribo, que ainda dá dinheiro, claro, mas não tanto quanto as tribos do pop e sertanejo universitário, por exemplo, muito mais endinheiradas e principalmente: dispostas a gastar seu rico dinheirinho com shows, alimentos, bebidas, lembrancinhas e outras bugigangas (que é o que a produção do RiR quer e precisa);

  4. O Rock in Rio, como já dito acima, é uma marca, logo, o evento é meramente comercial, não uma ode ao rock; muito menos ao rock ''raiz''; além disso, é um evento mainstream, nada ligado ao alternativo ou underground_ e por isso vem abrindo cada vez mais espaço ao pop rock, pop, e outros ritmos, como funk, rap, trap, samba, pagode (já tivemos em anos anteriores Maria Rita, Belo e Ferrugem, por exemplo), axé (Ivete foi a artista que mais se apresentou no RiR até hoje), e agora até mesmo se rendeu ao sertanejo universitário, tentando arrebanhar também aquele público da Festa do Peão de Barretos, Villamix, Festival Festeja, dentre outros;

  5. Como a própria Roberta Medina já falou, ''nunca foi sobre rock, é uma atitude rock'', não necessariamente preso ao RITMO rock propriamente e exclusivamente;

  6. Pra quem diz que o nome do festival deve mudar para ''Pop in Rio'' ou ''Roça in Rio'' ou qualquer coisa do tipo, NÃO vai mudar, uma vez que já adquiriram a marca e já faz sucesso mundial, enfim, NÃO VAI MUDAR;

  7. Desde 2011, o festival passou a ser de 2 em 2 anos, sendo que agora a mesma equipe também promove o The Town, em SP, nos anos que não tem Rock in Rio, assim, fica inviável ter uma Line-up maravilhosa com muito rock todo ano;

  8. O rock até se renovou, mas muitos roqueiros pararam no tempo e só curtem bandas que são compostas apenas por idosos que raramente fazem turnês ou até já se aposentaram (fora os que já saíram dos conjuntos, faleceram, etc.), o que dificulta ainda mais a montagem desse line-up;

  9. O festival hoje é um festival multimídia, o qual tem diversas atrações, dentre as quais os shows são apenas uma das atrações (para muitos, nem sempre os shows são as principais e melhores atrações do festival, diga-se de passagem); já que também há por exemplo parque de diversões, shopping, distribuição de brindes exclusivos concorridíssimos, mil locais programados para se tirar fotos, dentre outros dentro do evento;

  10. Reclamando ou não, muitos ficaram felizes_ e com certeza todos os ingressos vão se esgotar rapidamente_ como SEMPRE;

  11. É um evento ligado à Rede Globo, Multishow, GloboPlay e Grupo Globo como um todo, logo, sempre dará espaço aos artistas que a Globo quer e interessa investir (daí vermos por exemplo Luan Santana, Ana Castela e Simone Mendes, mas não vermos Gusttavo Lima no Line-Up; daí também Ivete Sangalo, contratada da Globo, quase toda edição no Rock in Rio; daí vermos também no Line-up Chitãozinho & Xororó e Ana Castela, que cantaram a abertura de "Terra e Paixão'', mas não vermos por exemplo Zezé di Camargo ou Bruno & Marrone no line-up; daí MC Cabelinho, ator da Globo, se apresentando em dois dias no Rock in Rio 2024; daí vermos Xamã, também ator da Globo, também presente no Rock in Rio 2022, Lollapalooza; daí vermos Belo em 2022 e 2024, já que ele também é agora ator da GloboPlay e figurinha fácil e carimbada em qualquer programa da Rede Globo de TV; dentre outras situações que é muito fácil ligar os pontos);

  12. Tanto "Rock in Rio'' é apenas uma marca, que também tem edições em Lisboa e Madri, além de tocar pop, samba, sertanejo.... É uma marca, como Lollapalooza, Coachella, Tomorrowland e tantos outros festivais. Podendo ser realizado em qualquer cidade e também tocar qualquer ritmo;

  13. Muita gente que reclama nem é frequentador do Rock in Rio_ enquanto muitos que não reclamaram, vão e ainda vão gastar MUITO lá dentro;

  14. Também é dito que por exemplo nas festas agropecuárias Brasil afora não há rock, o que também não é verdade, uma vez que já vi Jota Quest no Carnaval da Bahia; e também já vi na Festa do Tomate de Paty do Alferes O Rappa (2015), Frejat (2016), Jota Quest (2019), além de diversos DJ's, como Alok e Dennis DJ, e nomes do Pop, como Anitta, e do rap, como Matuê e Felipe Ret, do gospel católico e evangélico, como Padre Fábio de Melo, Fernanda Brum e Pastor Lucinho; enfim, todos esses eventos também misturam estilos, e o RiR também aderiu a esta tendência;

  15. O Rock The Mountain, festival que só cresce na Serra do Rio, em Petrópolis, e já foi transmitido até pelo Multishow, também leva ''Rock'' no nome, mas também tem muito pouco rock, abrindo espaço para artistas como Maria Rita, Alcione, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Roberta Sá, Baco Exu do Blues, Liniker, Gloria Groove, Furacão 2000, Chico César, Geraldo Azevedo, Marisa Monte, e tantos e tantos outros de diversos ritmos fora o rock. Aliás, o rock aparece bastante em baixa, sendo minoria no Rock The Mountain (assim como no Rock in Rio). Mais de 80% são de outros ritmos no RTM, assim como no RiR, que hoje tem apenas 1 dos 7 dias reservado ao rock, além do rock nacional ser também um dos 14 ritmos homenageados no ''Dia Brasil'';




Na lista abaixo, por exemplo, do RTM 2022, aparecem apenas 3 nomes ligados ao rock: Detonautas, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso. Se forçar um pouco, Fernanda Abreu, que começou na Blitz, mas hoje faz um som mais pop e mistura vários ritmos dançantes. E também o Jovem Dionísio, com seu pop rock dançante (também forçando MUITO a barra).

Mesmo o evento se chamando ''Rock The Mountain'', contempla diversos ritmos, rock é o que menos tem e fica ''espremido'' e ''sufocado'' entre diversos outros ritmos, como MPB, samba, rap e funk, dentre outros.




2023:


Nesta, aparecem apenas nomes ligados ao rock: Pitty, Paula Toller (que hoje também canta mais MPB), e SÓ. Apenas duas mulheres representantes do Rock, na edição do RTM 2023, em homenagem às mulheres.

Poderiam ter convidado também Deia Cassali, Syang, Virginie (do Metrô), Wanderléa, fazer um Tributo à Rita Lee, mas também nada disso foi o caso.




No line-up 2024, apenas 4 nomes ligados ao Rock: Nando Reis, Planet Hemp, Nação Zumbi (que faz uma mistura de ritmos), e CPM 22.



Ou seja, o Rock pouco a pouco vai sumindo não só do Rock in Rio, mas de todos os festivais. Vamos analisar também o Lollapalooza:



Lollapalooza 2024





Essa é a line-up do Lolla 2024



Vemos também poucos nomes ligados ao rock, tais como The Offspring, Titãs, 30 Seconds to Mars com seu vocalista galã Jared Leto, que tem impressionantes 52 anos de idade e já interpretou o Coringa no cinema.













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